
Quis a vida que o fizéssemos aos poucos, de quinze em quinze dias, e nas poucas férias que temos juntos, mas o tempo passa e a nossa relação vai ficando cada vez mais forte. A cumplicidade, o companheirismo, a compreensão, o amor, crescem e alimentam-se mutuamente.
De mim, para além do que já dei, dou os valores, aos poucos, como o biberão que tomavas quando ainda me cabias nos braços. Tu dás-me o sorriso, as partilhas. E tudo isto, sem pressas.
A vida flui e na tua tenra idade, já me compreendes nos silêncios que às vezes partilhamos. Eu, eu já te conheço, como a palma da mão. E tento ser o melhor pai do mundo, redescobrindo-me a cada dia que passa, a cada fim de semana que estamos juntos.
Quero mostrar-te o que já vi, o que isso me fez ser e o que, no meu pensar, deve ser a nossa passagem por este mundo. Tu, dás-me a mão e acompanhas-me, por vezes de mau grado, porque queres fazer sempre tudo ao teu jeito e, até nisso, somos tão parecidos... Mas sei , no fundo, que fica em ti muito do pouco que temos juntos.
Conta comigo para te aceitar como és. Sem juízos, sem prisões. Apenas umas regras aqui e ali para te encaminhar.
O resto, o resto fazes tu, debaixo do meu olhar e da mão que te ampara, até ao dia em que te sentires preparada para voar e em que eu serei o primeiro a sorrir.