quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Dunas nos lençóis


Vagueámos na poesia dos lençóis que morriam de saudades nossas e escrevemos versos nas dunas que a flanela forma num misto de planície e areal em que me perco insistentemente só.
Guardo-me nos passos que não dei.
E entrego-me quando já não sei quem sou, nem onde estou. Quando não me encontro no real e o sonho é uma cavalgada imparável.
Choveu nas dunas após o sôfrego sentimento.
Não estavas quando te tentei olhar.
Não esperaste que falasse. Que te dissesse que a nesta falésia escarpada, não há mais vento sem que me olhes. Não há mais prosa de gaivotas escrevinhada no céu rosa do entardecer.
Não me quiseste ouvir, porque sou um eco de ti, sou o pouco do que de nós resta.
Sou a tempestade que ao longe que se tenta fazer ouvir, mas que os gemidos perdidos nas dunas abafam ao repetir-se sempre que sonho.

3 comentários:

anaferro disse...

Deixa que a chuva caia e o mar suba e apague as marcas do que foi. Um recomeço pode não ser pior quando o início se mantém, na chegada à praia, no descalçar do pés para que de novo se rebolem. E voltarão as gaivotas e o vento que corta o calor dos corpos. Lá ao fundo o burburinho do mar, esse que leva mas também traz...

sakura disse...

Texto lindo lindo lindo, meu amor.
Tive de ler e reler. As palavras prendem-me ao ecran...e a ti. Palavras que transbordam sentimentos.
Fecho os olhos e imagino os nossos lençóis como dunas...com o mar a soar como música de fundo... Lindo, como tu.

Amo-te muito.

Flor

Hyndra disse...

Muito lindo...