Espero-te na volta do amor,
quando a chuva parar
e o mar se cansar.
Espero-te enfeitiçado,
gritando contra as amarras.
Olho-te através de um vidro embaciado,
de um dia nublado,
em que partiste na incerteza, sem olhar.
Espero-te como um fruto na árvore,
que se findou na primavera.
E nesta espera, chega o verão,
e sonho acordado
a ilusão que um dia voltarás
e serás de novo a lua do meu céu estrelado.
sábado, 2 de julho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Os meus pés

Os meus pés,
gritam num submerso silêncio,
e são vida sem história,
estrofe sem verso,
são o texto desalinhado na areia da praia.
São as paredes, são muralhas,
onde a chuva bate e escorre, sem deixar nada.
Os meus pés não sabem por onde vão,
nem para onde me levam.
Não nadam nem correm,
não ficam nem partem,
são o inconstante nascer da aurora,
perdidos no tempo,
sem horas.
Quem me dera ter do vento a liberdade,
e correr o mundo na ponta dos dedos,
quem me dera ser um pouco mais verdade
e aprender a verter, a pouco e pouco, os meus medos.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Despido
Quem segue só para o espaço,
ou só para o tempo?
Quem segue sem nada
apenas cansaço,
pela estrada que o leva a nenhum lado?
Quem vive e voa sem rumo,
ou atravessa a nado
o rio profundo,
deste para esse lado?
Quem esperas que seja,
se mais não sou que a estrela
que se esconde ao raiar do dia,
não por medo ou tristeza,
mas por ousadia?
Quem chega sem partir,
quando a viagem é longa,
e sem mapa nem mundo,
ou ponto de partida?
Dispo-me de mim,
e desembainho a espada imaginária.
Desafio o mundo num duelo,
e qual herói lendário,
sou rei do meu castelo
sem paredes, nem redes onde me deitar.
ou só para o tempo?
Quem segue sem nada
apenas cansaço,
pela estrada que o leva a nenhum lado?
Quem vive e voa sem rumo,
ou atravessa a nado
o rio profundo,
deste para esse lado?
Quem esperas que seja,
se mais não sou que a estrela
que se esconde ao raiar do dia,
não por medo ou tristeza,
mas por ousadia?
Quem chega sem partir,
quando a viagem é longa,
e sem mapa nem mundo,
ou ponto de partida?
Dispo-me de mim,
e desembainho a espada imaginária.
Desafio o mundo num duelo,
e qual herói lendário,
sou rei do meu castelo
sem paredes, nem redes onde me deitar.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Sou breve

Sou breve como um segredo
dito a medo.
Como um canto de cotovia,
a anunciar o dia.
Como num sorriso escondido
sou breve como a neve.
Esqueço o céu, e foco-me na terra,
sou raio de sol, sou primavera,
sou o degelo de um dia que amanheceu verde.
Faço-me em cada passo que dou,
em cada estrada que percorro
e em cada encruzilhada em que me sento
e espero que o vento me leve a viajar.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Verdade

Faltava pouco mais
que meia hora de eternidade,
a ecoar na minha impaciência.
A Janela bateu com estrondo e estremeceu a alma.
No momento em que a saudade respirou mais forte,
levantando um vento incontrolável,
soprou ventos pela tempestade dos teus olhos,
e aos molhos,
caiu a verdade.
Despida ao luar,
renasceu a alma pura,
como um restolho que olha a vida
que é eterna enquanto dura...
quarta-feira, 13 de abril de 2011
No negro dos teus olhos

No negro dos teus olhos,
e no espaço que vai dos meus lábios aos teus,
beijo-te sem nunca te ter beijado.
E o meu desejo é o orvalho da madrugada,
que te espera como ao sol do Verão.
No suave ondular do teu cabelo,
perco-me como numa floresta mágica,
e quanto mais corro mais me encontro
e quanto mais quero menos te tenho
e quanto mais te abraço menos te vejo.
Os teus lábios são uma clareira de luz,
onde me deito a sonhar,
e sinto o fresco da relva
enquanto espero que um estrela cadente cruze o meu céu.
Assinar:
Postagens (Atom)